Tive o grande prazer e a satisfação de, em 2002, conhecer uma pessoa muito especial, quando fui contratado pela Faculdade UNIRON, para lecionar naquela instituição de ensino quando ainda funcionava nas instalações do Colégio Granjeiro, na estrada que vai para o cemitério municipal.
Nosso grupo era de apenas não mais que vinte professores.
Era um grupo especial, todos se conhecendo aos poucos e dessa forma, conheci a pessoa de quem estou escrevendo.
Tivemos muitas lutas para poder levar as turmas dos acadêmicos a compreender que ali não era mais o Ensino Médio. Eles estavam cursando uma Faculdade.
Na luta, havia uma troca de conhecimento entre os professores, objetivando um aprimoramento para levar aos acadêmicos o melhor.
Lembro bem de, no segundo horário entrar em uma turma de Administração com ênfase em Marketing e ver o maior reboliço e ao perguntar o motivo, fui informado que havia saído da sala, no horário anterior, uma professora baixinha, cheia de marra e que tinha falado muito.
Ao perguntar, disseram que a disciplina era Metodologia e que a professora nunca tinha lecionado em faculdade.
Perguntei sobre a qualidade das aulas. Todos foram unânimes em elogiar os métodos e as formas da professora ministrar as aulas – só que a reclamação de que era uma debutante na faculdade e não seria justo lecionar para eles.
Ponderei como professor de Teoria Geral da Administração, de que qualquer pessoa, inclusive eles, teriam que um dia iniciar em um trabalho ou atividade, ou seja, um dia eles iriam também debutar em uma atividade qualquer na vida profissional.
Todos nós temos chance de mostrar nosso trabalho.
Todos entenderam que a qualidade das aulas da professora não estava em discussão, apenas ser iniciante na área.
Alguns meses depois, quando de uma confraternização da turma, fui convidado a participar e recebi o pedido para que a professora também fosse convidada.
Questionei com eles quanto a marra que os mesmos tinha com a citada pessoa e recebi a informação de que o processo tinha mudado da água para o vinho.
Recebi com satisfação a informação de que a professora estava dando conta do recado com qualidade ímpar.
Mudamos para o prédio novo, onde hoje funciona a UNIRON e aa dita professorinha foi embora. Foi para outra instituição de ensino superior.
Mantivemos nosso nível e amizade, elaboramos inúmeros trabalhos científicos e profissionais e estamos batalhando para a criação de duas escolas em Rondônia.
De minha parte a Escola Superior de Administração Tributária e ela, com a Escola da Secretaria de Justiça, objetivando atender os adolescentes em conflito com a lei.
Quero crer que seremos contemplados com nossos objetivos.
Vi o trabalho da professora feito com paixão e coração.
A professorinha cresceu e buscando aprimoramento foi voar mais alto.
Fez inscrição em mestrado, foi aproada e classificada para o curso, sofreu desgaste com viagem, distância da família e agora colhe os frutos.
Tive a alegria de ver o Certificado de Mestra em Educação da Professora Raika Fabíola Guzman da Silva.
Parabéns Mestra.
Parabéns minha amiga.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Simpatia
Parece que a minha brincadeira de escrever sobre alguns “causos” de Porto Velho está dando frutos.
Recebi a cobrança do amigo Delman Saldanha para contar alguns ocorridos com o também amigo Raimundo Holanda.
Com certeza já tenho alguns causos praticamente escritos sobre tão singela figura que é o Raimundinho.
Porém, no domingo, entre uma cerveja e outra, soube de um causo que não poderia deixar de ser contado hoje.
Dizem que Dona Geralda Ibiapina, grande torcedora do Ferroviário e fã incondicional do saudoso Chiquilito Erse, que morava na Abunã com a Julio de Castilho, criava galinhas por esporte, visto que não comia nenhuma de suas preciosas penosas – até mesmo quando eram vítimas do trânsito, quem comia era a vizinhança – claro que com autorização de Dona Geralda.
Pois sim, vamos lá.
Dona Geralda, com maior carinho com suas galinhas e um dia Seu Ramiro, esposo dedicado, encontrou um autêntico vira-latas novinho na rua, sem pai nem mãe e resolveu levar para ser criado juntamente com as galinhas e assim, evitaria que no sábado de Aleluia fossem roubadas e sacrificadas em homenagem aos gatunos de plantão.
O cachorro foi crescendo e achou uma forma de ser pago: passou a comer alguns ovos que estavam para ser chocados.
Dona Geralda inconformada passou a marcar cerrado tanto o cachorro como o Seu Ramiro, buzinando seu blá blá blá para ver se alguma providência era tomada.
Seu Ramiro, com a calma que Deus lhe deu, não levou a reclamação a sério e nada fez com o cachorro comedor de ovos.
Até sua paciência não aguentar mais, falou pra Dona Geralda cozinhar um ovo e por na boca do cachorro que ele jamais iria comer novos ovos.
Dona Geralda fez a simpatia e depois de mais de um mês, volta a reclamar para Seu Ramiro que nada estava acontecendo, pois o cachorro continuava a devorar os futuros pintinhos.
Seu Ramairo, muito experiente falou que não acreditada como também não entendia o que ocorria, pois tal simpatia era “tipo e queda”.
Dona Geralda não sabendo o motivo da simpatia não funcionar acreditando que era questão de tempo, continuou a cozinhar ovos e dar ao cachorro.
E tal simpatia não iria dar certo nunca.
Certo dia, Seu Ramiro chega mais cedo do trabalho e encontra Dona Geralda sentada no batente da porta da sala, com o cachorro sentado ao seu lado, alguns ovos cozidos em um prato no seu colo.
Descascava ovo por ovo, passava sal e dava ao cachorro.
Assim, até eu queria ser o cachorro dela.
Recebi a cobrança do amigo Delman Saldanha para contar alguns ocorridos com o também amigo Raimundo Holanda.
Com certeza já tenho alguns causos praticamente escritos sobre tão singela figura que é o Raimundinho.
Porém, no domingo, entre uma cerveja e outra, soube de um causo que não poderia deixar de ser contado hoje.
Dizem que Dona Geralda Ibiapina, grande torcedora do Ferroviário e fã incondicional do saudoso Chiquilito Erse, que morava na Abunã com a Julio de Castilho, criava galinhas por esporte, visto que não comia nenhuma de suas preciosas penosas – até mesmo quando eram vítimas do trânsito, quem comia era a vizinhança – claro que com autorização de Dona Geralda.
Pois sim, vamos lá.
Dona Geralda, com maior carinho com suas galinhas e um dia Seu Ramiro, esposo dedicado, encontrou um autêntico vira-latas novinho na rua, sem pai nem mãe e resolveu levar para ser criado juntamente com as galinhas e assim, evitaria que no sábado de Aleluia fossem roubadas e sacrificadas em homenagem aos gatunos de plantão.
O cachorro foi crescendo e achou uma forma de ser pago: passou a comer alguns ovos que estavam para ser chocados.
Dona Geralda inconformada passou a marcar cerrado tanto o cachorro como o Seu Ramiro, buzinando seu blá blá blá para ver se alguma providência era tomada.
Seu Ramiro, com a calma que Deus lhe deu, não levou a reclamação a sério e nada fez com o cachorro comedor de ovos.
Até sua paciência não aguentar mais, falou pra Dona Geralda cozinhar um ovo e por na boca do cachorro que ele jamais iria comer novos ovos.
Dona Geralda fez a simpatia e depois de mais de um mês, volta a reclamar para Seu Ramiro que nada estava acontecendo, pois o cachorro continuava a devorar os futuros pintinhos.
Seu Ramairo, muito experiente falou que não acreditada como também não entendia o que ocorria, pois tal simpatia era “tipo e queda”.
Dona Geralda não sabendo o motivo da simpatia não funcionar acreditando que era questão de tempo, continuou a cozinhar ovos e dar ao cachorro.
E tal simpatia não iria dar certo nunca.
Certo dia, Seu Ramiro chega mais cedo do trabalho e encontra Dona Geralda sentada no batente da porta da sala, com o cachorro sentado ao seu lado, alguns ovos cozidos em um prato no seu colo.
Descascava ovo por ovo, passava sal e dava ao cachorro.
Assim, até eu queria ser o cachorro dela.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Dia dos namorados
Está chegando o dia dos namorados, antes dele, já tivemos o dia da mulher, dia das mães e depois teremos dia dos pais, aniversários, natal, etc.
Uma coisa é certa: temos que comprar presentes.
Tenho uma amiga que reclamou quando falei que apenas são dias criados pelo comércio para vender mais.
Então, vem chegando o dia dos namorados.
Como raramente alguém que não tem namorado ou namorada – alguns possuem as duas coisas – vamos comprar presentes.
Conversando com meus botões, fiquei em uma dúvida cruel. O que comprar para a namorada.
Pensei em perfumes, porém vi que a carga tributária para um perfume importado, chega à casa dos 70 % (setenta) por cento. Seria um ótimo presente, visto que eu poderia também utilizá-lo, passando em mim ou simplesmente saboreando com meu olfato.
Não deu, está caro demais para o orçamento.
Vi também que uma jóia é um presente que mulher nenhuma rejeita. Então, vai uma jóia.
Não deu, a jóia é tributada em média de 50% (cinquenta) por cento. Lá se foi meu sonho de presentear a digníssima com uma jóia.
Parti para uma pesquisa sobre quanto é a parte que tenho de dar também de presente para o governo quando compro um presente para dar a alguém.
Vi que toda vez que dou um presente, quer seja para a namorada, para amigos, para filhos, pais ou irmãos não posso esquecer que tenho de comprar um também para o governo.
É igual quando somos convidados para aniversário de criança com um irmãozinho. O bom senso manda que levemos dois. Um para cada.
Então, voltemos ao dia dos namorados.
Encontrei eletroeletrônicos, eletrodomésticos, e vários outros tipos de eletros.
E sempre tenho que dar praticamente a metade do que comprar ao governo, como tributo.
Pesquisei até chegar a um jantar.
Não um jantar qualquer, um jantar romântico. Ponha romântico na conversa.
Jantar a luz de velas, com direito a música, comida de primeira e um lugar paradisíaco.
Pronto.
Resolvi.
Será um jantar.
Quase tudo resolvido para deixar dona patroa nas nuvens.
Desisti ao saber que o jantar seria a três.
Um convidado nada romântico e inoportuno para o momento.
Teríamos que contar com um furão para o momento – e não era o Boi, primo do Qualhada – era um autêntico segura velas.
Eu, ela e o governo.
Uma coisa é certa: temos que comprar presentes.
Tenho uma amiga que reclamou quando falei que apenas são dias criados pelo comércio para vender mais.
Então, vem chegando o dia dos namorados.
Como raramente alguém que não tem namorado ou namorada – alguns possuem as duas coisas – vamos comprar presentes.
Conversando com meus botões, fiquei em uma dúvida cruel. O que comprar para a namorada.
Pensei em perfumes, porém vi que a carga tributária para um perfume importado, chega à casa dos 70 % (setenta) por cento. Seria um ótimo presente, visto que eu poderia também utilizá-lo, passando em mim ou simplesmente saboreando com meu olfato.
Não deu, está caro demais para o orçamento.
Vi também que uma jóia é um presente que mulher nenhuma rejeita. Então, vai uma jóia.
Não deu, a jóia é tributada em média de 50% (cinquenta) por cento. Lá se foi meu sonho de presentear a digníssima com uma jóia.
Parti para uma pesquisa sobre quanto é a parte que tenho de dar também de presente para o governo quando compro um presente para dar a alguém.
Vi que toda vez que dou um presente, quer seja para a namorada, para amigos, para filhos, pais ou irmãos não posso esquecer que tenho de comprar um também para o governo.
É igual quando somos convidados para aniversário de criança com um irmãozinho. O bom senso manda que levemos dois. Um para cada.
Então, voltemos ao dia dos namorados.
Encontrei eletroeletrônicos, eletrodomésticos, e vários outros tipos de eletros.
E sempre tenho que dar praticamente a metade do que comprar ao governo, como tributo.
Pesquisei até chegar a um jantar.
Não um jantar qualquer, um jantar romântico. Ponha romântico na conversa.
Jantar a luz de velas, com direito a música, comida de primeira e um lugar paradisíaco.
Pronto.
Resolvi.
Será um jantar.
Quase tudo resolvido para deixar dona patroa nas nuvens.
Desisti ao saber que o jantar seria a três.
Um convidado nada romântico e inoportuno para o momento.
Teríamos que contar com um furão para o momento – e não era o Boi, primo do Qualhada – era um autêntico segura velas.
Eu, ela e o governo.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
“Causos” pitorescos de Porto Velho
Depois de uma conversa com amigos, principalmente com o Professor Marto, resolvi continuar a comentar sobre minha terrinha, Porto Velho.
Agora, quero fazer de forma diferente, contando “causos” sobre algumas pessoas.
Haverá momento que declinarei do nome, para evitar desentendimentos ou entendimentos não tão bons assim. Meu amigo Anizinho que o diga.
Vou iniciar contando um “causo” muito falado nas rodas de amigos, quando estou tomando uma cervejinha. Sempre pedem para eu contar da vez que minha mãe, Dona Maturina, brigou com o comandante da 3ª Companhia de Fronteira.
Em meados de não sei quando, meu pai, seu Orlando era Cabo do Exército brasileiro e servia na 3ª Companhia de Fronteira, hoje 17ª Brigada de Infantaria de Selva – se é que não mudou o nome por esses dias, já que muitas vezes mudou.
Dona Maturina todo dia ia buscar seu Orlando no final do trabalho, pois morávamos em uma casa grande, de madeira, na confluência das ruas Campos Sales e D. Pedro II, hoje funciona um Cartório naquele lugar. Pra situar melhor, em frente ao Hotel Samaúma.
Grávida, com a barriga “no pé da guela” – raramente ela não estava grávida – no dito dia, foi buscar papai no quartel e ele disse que não poderia sair pois iria dobrar o serviço[1] já que o outro cabo iria fazer uma festa na sua casa e o comandante já tinha ido embora do quartel.
Minha mão não diz nada e vai até a esquina do quartel, onde residia o comandante e vê o referido sentado em uma cadeira de balanço, só de calção.
Para na frente do coitado, pondo as mãos na cintura – se é que com a barriga no “pé da guela” ainda tivesse cintura e diz:
_ Bonito! Um fazendo desta em casa... o outro de embalando na cadeira e meu marido dobrando o plantão.
Dito isso, vai embora.
Como sempre fazia todo final de tarde após ir buscar papai no quartel, passou na Catedral, entrou, fez o Sinal da Cruz, rezou um pouco e foi embora.
Como nossa casa ficava a pelo menos quatro quadras da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, não demorou muito a chegar.
Da esquina ela vê seu Orlando sentado no batente da porta. Cabisbaixo.
Ela, com a educação que Deus lhe deu, perguntou:
_Que foi Orlando? Já em casa? Não ias dobrar o plantão?
Então ele, como sempre um Lorde, falou:
_Não sei Maturina. Fostes embora e logo depois chegou o Comandante e disse:
_Orlando, vai pra casa que eu vou tirar o teu plantão. Não entendi nada Maturina, mas como ele insistiu, vim embora.
[1] - Permanecer no serviço, trabalhando mais um turno para cobrir alguma lacuna.
Agora, quero fazer de forma diferente, contando “causos” sobre algumas pessoas.
Haverá momento que declinarei do nome, para evitar desentendimentos ou entendimentos não tão bons assim. Meu amigo Anizinho que o diga.
Vou iniciar contando um “causo” muito falado nas rodas de amigos, quando estou tomando uma cervejinha. Sempre pedem para eu contar da vez que minha mãe, Dona Maturina, brigou com o comandante da 3ª Companhia de Fronteira.
Em meados de não sei quando, meu pai, seu Orlando era Cabo do Exército brasileiro e servia na 3ª Companhia de Fronteira, hoje 17ª Brigada de Infantaria de Selva – se é que não mudou o nome por esses dias, já que muitas vezes mudou.
Dona Maturina todo dia ia buscar seu Orlando no final do trabalho, pois morávamos em uma casa grande, de madeira, na confluência das ruas Campos Sales e D. Pedro II, hoje funciona um Cartório naquele lugar. Pra situar melhor, em frente ao Hotel Samaúma.
Grávida, com a barriga “no pé da guela” – raramente ela não estava grávida – no dito dia, foi buscar papai no quartel e ele disse que não poderia sair pois iria dobrar o serviço[1] já que o outro cabo iria fazer uma festa na sua casa e o comandante já tinha ido embora do quartel.
Minha mão não diz nada e vai até a esquina do quartel, onde residia o comandante e vê o referido sentado em uma cadeira de balanço, só de calção.
Para na frente do coitado, pondo as mãos na cintura – se é que com a barriga no “pé da guela” ainda tivesse cintura e diz:
_ Bonito! Um fazendo desta em casa... o outro de embalando na cadeira e meu marido dobrando o plantão.
Dito isso, vai embora.
Como sempre fazia todo final de tarde após ir buscar papai no quartel, passou na Catedral, entrou, fez o Sinal da Cruz, rezou um pouco e foi embora.
Como nossa casa ficava a pelo menos quatro quadras da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, não demorou muito a chegar.
Da esquina ela vê seu Orlando sentado no batente da porta. Cabisbaixo.
Ela, com a educação que Deus lhe deu, perguntou:
_Que foi Orlando? Já em casa? Não ias dobrar o plantão?
Então ele, como sempre um Lorde, falou:
_Não sei Maturina. Fostes embora e logo depois chegou o Comandante e disse:
_Orlando, vai pra casa que eu vou tirar o teu plantão. Não entendi nada Maturina, mas como ele insistiu, vim embora.
[1] - Permanecer no serviço, trabalhando mais um turno para cobrir alguma lacuna.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
As meninas das sandálias de vidro
Passeando por terras de Morfeu, deparei-me com um lugar sombrio, onde mulhers desfilavam de várias formas, umas totalmente vestidas, outras com poucas roupas e algumas simplesmente nuas.
O corpo pouco valendo. Com alguns reais poderia ter qualquer uma delas.
Desfilando em um palco improvisado, desnudando-se em cima de uma mesa ou simplesmente levando-a para um dos quartos pequenos e fétidos disponíveis no local.
Vejo meninas que a pouco eram crianças que brincavam com suas bonecas e hoje se expõem para um monte de pessoas aplaudindo, vaiando ou apenas indiferentes.
Alguns estão ali apenas para passar o tempo, tomar uma bebida, jogar mágoas fora ou ganhar parcos trocados.
Fico curioso com uma cena repetida. Toda vez que uma ia ao palco, com suas minúsculas roupas para se despirem ao som de uma música estridente, há a repetição de sandália.
Vejo que, com raríssimas exceções, elas utilizam do mesmo par de sandálias.
A curiosidade me faz pensar o motivo e aquilo fica martelando em minha cabeça.
Não resistindo a minha curiosidade fui perguntando e não tendo resposta.
Como o Pequeno Príncipe, que jamais renuncia a uma pergunta, teimei até conseguir a resposta: Para parecerem mais bonitas, como uma mercadoria exposta em uma vitrine, elas compram juntas apenas um par de sandálias, simples porém bonito.
Com o pouco dinheiro que ganhavam pela exposição de seus corpos, puderam comprar apenas um par. Um par de sandálias de vidro.
Simples...
Frágil...
De vidro...
Que, a qualquer momento poderia quebrar...
Como quebrará os sonhos e a vida de cada uma delas.
O corpo pouco valendo. Com alguns reais poderia ter qualquer uma delas.
Desfilando em um palco improvisado, desnudando-se em cima de uma mesa ou simplesmente levando-a para um dos quartos pequenos e fétidos disponíveis no local.
Vejo meninas que a pouco eram crianças que brincavam com suas bonecas e hoje se expõem para um monte de pessoas aplaudindo, vaiando ou apenas indiferentes.
Alguns estão ali apenas para passar o tempo, tomar uma bebida, jogar mágoas fora ou ganhar parcos trocados.
Fico curioso com uma cena repetida. Toda vez que uma ia ao palco, com suas minúsculas roupas para se despirem ao som de uma música estridente, há a repetição de sandália.
Vejo que, com raríssimas exceções, elas utilizam do mesmo par de sandálias.
A curiosidade me faz pensar o motivo e aquilo fica martelando em minha cabeça.
Não resistindo a minha curiosidade fui perguntando e não tendo resposta.
Como o Pequeno Príncipe, que jamais renuncia a uma pergunta, teimei até conseguir a resposta: Para parecerem mais bonitas, como uma mercadoria exposta em uma vitrine, elas compram juntas apenas um par de sandálias, simples porém bonito.
Com o pouco dinheiro que ganhavam pela exposição de seus corpos, puderam comprar apenas um par. Um par de sandálias de vidro.
Simples...
Frágil...
De vidro...
Que, a qualquer momento poderia quebrar...
Como quebrará os sonhos e a vida de cada uma delas.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Intolerância
Em um mundo conturbado em que vivemos e com a complexidade de línguas, crenças, anseios, vontades, costumes e opiniões, verificamos que a intolerância está presente em todos os âmbitos. Podemos definir intolerância como uma atitude mental caracterizada pela falta de habilidade ou vontade em reconhecer e respeitar diferenças.
Em sentido latu a intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos-de-vista diferentes ou uma tolerância velada, ao menos por questões de princípios.
Li a pouco sobre a intolerância que sofre uma jovem nascida em Rondônia e que está estudando em São Paulo e sofre preconceito por aqui ter nascido, inclusive tendo sido “convidada” para Rondônia voltar.
Hoje alguns classificam tal atitude de Bullying que é um termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um quidam[1] ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro quidam (ou grupo de indivíduos).
Ainda não entendo os motivos de uma pessoa que nasce em Rondônia sofrer discriminação ou rejeição porte de pessoas nascidas em outras unidades federativas, senão vejamos:
Em que uma pessoa nascida em outras plagas tem de melhor que nós, nascidos em Rondônia?
Se vermos o desenvolvimento de nosso estado, as belezas naturais, nosso clima, vegetação, etc., teremos a certeza que por tal motivo não é.
Se olharmos pelo prisma da qualidade de vida entre as pessoas que aqui residem e as pessoas que estão no centro sul do Brasil, também sabemos que não poderá ser o motivo.
Nossa população é uma das mais diversificadas do Brasil, composta principalmente de imigrantes oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais se destacam os paranaenses, paulistas, mineiros, gaúchos, capixabas, baianos e matogrossenses, cuja presença é marcante nas cidades do interior do estado, além de cearenses, maranhenses, amazonenses e acreanos, ou seja, a população nativa é mínima – dentre os nativos estou eu, Orlando Pereira da Silva Júnior, filho de um Amazonense e uma Matogrossense que quando da formação do Território Federal do Guaporé, passram a ser parte deste rincão.
Rondônia é também o 3º estado mais rico da região Norte, responsável por 10,8% do PIB da região. Apesar de ser um estado jovem (criado em 1982), possui o 3º maior Índice de Desenvolvimento Humano, o 3º maior PIB per capita, a 2ª menor taxa de mortalidade infantil e a 3ª menor taxa de analfabetismo entre todos os estados das regiões Norte e Nordeste do país.
Então não há motivos para que uma pessoa nascida no Estado de Rondônia venha a sofrer discriminação por parte de quem quer que seja, ou de pessoas nascidas em qualquer lugar de nosso Brasil.
Não quero dizer que aqui é a 8ª maravilha do mundo, jamais.
Não quero justificar nossos erros.
Não quero defender as mazelas que aqui ocorrem.
Quero apenas justificar que em Rondônia existe um povo trabalhador como em qualquer canto do Brasil e que as pessoas nascidas aqui possuem capacidade suficiente para disputar, em nível de conhecimento, com qualquer pessoa de outras regiões do país.
Possuímos profissionais nascidos aqui de qualidade indiscutível. O Estado de São Paulo já teve um vice-governador nascido em Rondônia, que por sinal também foi ministro de Estado.
Temos doutores – doutores mesmo, daqueles que defendem Tese de Doutorado, em várias especialidades que aqui nasceram.
Quando da crise que assolou o mundo – que para nosso Presidente Lula foi uma marolinha – o Estado de Rondônia manteve-se com o crescimento natural e as pessoas que aqui residem, praticamente não notaram quando a famigerada crise iniciou ou quando ela acabou, se é que acabou.
O que escrevo pode até, para muitos, parecer um desabafo de uma pessoa magoada com a realidade. Não. Não é. Reconheço nossos erros e nossas falhas e que podem – e devem – ser criticadas. O que não admito jamais é sofrer discriminação por apenas ter nascido aqui.
Sou filho da primeira professora nomeada no Território Federal de Rondônia, professora Maturina Cavalcante Silva e do “Seu” Orlando Pereira da Silva, que nasceram e morreram aqui.
Vi minha terra crescer, nasci na época que Porto Velho era apenas o quadrilátero Rio Madeira, Av. Sete de Setembro, Rua Joaquim Nabuco e Av. Pinheiro Machado.
Vi Rondônia sair de dois municípios: Porto Velho e Guajará-Mirim para 52 municípios e queira o Grande Arquiteto do Universo que possa ver chegar a cem... duzentos... ou mais municípios. Quero ver minha terra crescer.
[1] - Quidam: um transeunte sem nome, uma figura solitária numa esquina da rua, uma pessoa a passar apressadamente. Podia ser qualquer um. Alguém a chegar, a partir, a viver na nossa sociedade anónima. Um elemento na multidão, um entre a maioria silenciosa
Em sentido latu a intolerância é a ausência de disposição para aceitar pessoas com pontos-de-vista diferentes ou uma tolerância velada, ao menos por questões de princípios.
Li a pouco sobre a intolerância que sofre uma jovem nascida em Rondônia e que está estudando em São Paulo e sofre preconceito por aqui ter nascido, inclusive tendo sido “convidada” para Rondônia voltar.
Hoje alguns classificam tal atitude de Bullying que é um termo de origem inglesa utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um quidam[1] ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro quidam (ou grupo de indivíduos).
Ainda não entendo os motivos de uma pessoa que nasce em Rondônia sofrer discriminação ou rejeição porte de pessoas nascidas em outras unidades federativas, senão vejamos:
Em que uma pessoa nascida em outras plagas tem de melhor que nós, nascidos em Rondônia?
Se vermos o desenvolvimento de nosso estado, as belezas naturais, nosso clima, vegetação, etc., teremos a certeza que por tal motivo não é.
Se olharmos pelo prisma da qualidade de vida entre as pessoas que aqui residem e as pessoas que estão no centro sul do Brasil, também sabemos que não poderá ser o motivo.
Nossa população é uma das mais diversificadas do Brasil, composta principalmente de imigrantes oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais se destacam os paranaenses, paulistas, mineiros, gaúchos, capixabas, baianos e matogrossenses, cuja presença é marcante nas cidades do interior do estado, além de cearenses, maranhenses, amazonenses e acreanos, ou seja, a população nativa é mínima – dentre os nativos estou eu, Orlando Pereira da Silva Júnior, filho de um Amazonense e uma Matogrossense que quando da formação do Território Federal do Guaporé, passram a ser parte deste rincão.
Rondônia é também o 3º estado mais rico da região Norte, responsável por 10,8% do PIB da região. Apesar de ser um estado jovem (criado em 1982), possui o 3º maior Índice de Desenvolvimento Humano, o 3º maior PIB per capita, a 2ª menor taxa de mortalidade infantil e a 3ª menor taxa de analfabetismo entre todos os estados das regiões Norte e Nordeste do país.
Então não há motivos para que uma pessoa nascida no Estado de Rondônia venha a sofrer discriminação por parte de quem quer que seja, ou de pessoas nascidas em qualquer lugar de nosso Brasil.
Não quero dizer que aqui é a 8ª maravilha do mundo, jamais.
Não quero justificar nossos erros.
Não quero defender as mazelas que aqui ocorrem.
Quero apenas justificar que em Rondônia existe um povo trabalhador como em qualquer canto do Brasil e que as pessoas nascidas aqui possuem capacidade suficiente para disputar, em nível de conhecimento, com qualquer pessoa de outras regiões do país.
Possuímos profissionais nascidos aqui de qualidade indiscutível. O Estado de São Paulo já teve um vice-governador nascido em Rondônia, que por sinal também foi ministro de Estado.
Temos doutores – doutores mesmo, daqueles que defendem Tese de Doutorado, em várias especialidades que aqui nasceram.
Quando da crise que assolou o mundo – que para nosso Presidente Lula foi uma marolinha – o Estado de Rondônia manteve-se com o crescimento natural e as pessoas que aqui residem, praticamente não notaram quando a famigerada crise iniciou ou quando ela acabou, se é que acabou.
O que escrevo pode até, para muitos, parecer um desabafo de uma pessoa magoada com a realidade. Não. Não é. Reconheço nossos erros e nossas falhas e que podem – e devem – ser criticadas. O que não admito jamais é sofrer discriminação por apenas ter nascido aqui.
Sou filho da primeira professora nomeada no Território Federal de Rondônia, professora Maturina Cavalcante Silva e do “Seu” Orlando Pereira da Silva, que nasceram e morreram aqui.
Vi minha terra crescer, nasci na época que Porto Velho era apenas o quadrilátero Rio Madeira, Av. Sete de Setembro, Rua Joaquim Nabuco e Av. Pinheiro Machado.
Vi Rondônia sair de dois municípios: Porto Velho e Guajará-Mirim para 52 municípios e queira o Grande Arquiteto do Universo que possa ver chegar a cem... duzentos... ou mais municípios. Quero ver minha terra crescer.
[1] - Quidam: um transeunte sem nome, uma figura solitária numa esquina da rua, uma pessoa a passar apressadamente. Podia ser qualquer um. Alguém a chegar, a partir, a viver na nossa sociedade anónima. Um elemento na multidão, um entre a maioria silenciosa
segunda-feira, 15 de março de 2010
Palermo x Palhaço
O interessante é que jogador profissional só faz isso. Joga futebol.
É como um médico, um engenheiro, um advogado. Tem sua profissão.
É estanho, se não, absurdo, um cara que faz única e exclusivamente jogar futebol, que treina todo dia para fazer apenas jogar futebol, possa errar dois pênaltis no mesmo jogo.
Se um médico errar dois diagnósticos no mesmo dia...
Se um engenheiro errar dois projetos no mesmo dia...
Se um advogado perder duas causa no mesmo dia...
Tem algo errado.
É pura incompetência, pois são profissionais, fazem aquilo por profissão...
Não podem errar.
É humanamente impossível, honestamente falando, que um profissional que ganha para fazer apenas jogar futebol, seja tão burro, tão imbecil, tão sem compromisso que faça a asneira de errar dois pênaltis no mesmo jogo.
Não posso entender, principalmente como Vascaíno que sou, deixar uma pessoa sem qualquer responsabilidade com o elenco, bater um segundo pênalti, com a passividade vista dentro de campo, pois convenhamos, nada o rapaz fez durante o jogo para justificar a audácia dele bater o segundo pênalti, já tendo feito a burrice de atrasar – sim atrasar a bola do goleiro do Flamengo – no primeiro e assim o fez novamente no segundo.
Pelo amor de Deus, está na hora de cobrarmos compromisso e seriedade dos jogadores de futebol no Brasil.
Aqui somos apenas creche e asilo de jogadores. Ou seja, criamos jovens jogadores, vão embora pra outros países e quando inservíveis por lá, voltam para o asilo.
Respeitar o torcedor é uma obrigação, pois sem torcedores não haverá ídolos.
O que esse moço chamado Dodô fez foi uma imoralidade sem tamanho com a torcida do Vasco da Gama.
Ou é má preparação, má vontade ou má-fé.
Não tem outra explicação.
Ou na pior hipótese é Argentino.
É como um médico, um engenheiro, um advogado. Tem sua profissão.
É estanho, se não, absurdo, um cara que faz única e exclusivamente jogar futebol, que treina todo dia para fazer apenas jogar futebol, possa errar dois pênaltis no mesmo jogo.
Se um médico errar dois diagnósticos no mesmo dia...
Se um engenheiro errar dois projetos no mesmo dia...
Se um advogado perder duas causa no mesmo dia...
Tem algo errado.
É pura incompetência, pois são profissionais, fazem aquilo por profissão...
Não podem errar.
É humanamente impossível, honestamente falando, que um profissional que ganha para fazer apenas jogar futebol, seja tão burro, tão imbecil, tão sem compromisso que faça a asneira de errar dois pênaltis no mesmo jogo.
Não posso entender, principalmente como Vascaíno que sou, deixar uma pessoa sem qualquer responsabilidade com o elenco, bater um segundo pênalti, com a passividade vista dentro de campo, pois convenhamos, nada o rapaz fez durante o jogo para justificar a audácia dele bater o segundo pênalti, já tendo feito a burrice de atrasar – sim atrasar a bola do goleiro do Flamengo – no primeiro e assim o fez novamente no segundo.
Pelo amor de Deus, está na hora de cobrarmos compromisso e seriedade dos jogadores de futebol no Brasil.
Aqui somos apenas creche e asilo de jogadores. Ou seja, criamos jovens jogadores, vão embora pra outros países e quando inservíveis por lá, voltam para o asilo.
Respeitar o torcedor é uma obrigação, pois sem torcedores não haverá ídolos.
O que esse moço chamado Dodô fez foi uma imoralidade sem tamanho com a torcida do Vasco da Gama.
Ou é má preparação, má vontade ou má-fé.
Não tem outra explicação.
Ou na pior hipótese é Argentino.
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