quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A distância dói...


Ao longo de meus quase sessenta anos, já ouvi e senti vários tipos de dores.
Ouvi dizer que o desprezo dói...
Também ouvi dizer que as palavras duras e injustas machucam...
Já senti na pele a dor da saudade.
Claro que sei que se nos machucamos ou nos machucarem fisicamente dói e dói muito.
Sei, e como sei que se nos ferirem, quer seja de forma física ou psicológica a dor é demais, se bem que a recíproca é verdadeira.
Tem também a dor da alma...
A alma ferida sofre com a dor pelo simples fato de estar machucada por dentro.
Agora, pensem em uma "dorzinha fdp" que machuca para "baralho" é a dor da distância de quem amamos.
Quando a pessoa que você ama está longe.... muito longe...
O pior é que a dor da distância é uma dor antecipada, não dói quando acontece o fato. Ela passa a doer no momento em que você fica sabendo que a pessoa amada irá partir.
Sabe aquela pontadinha no coração ao saber da notícia da partida? É ela mesmo senhor...
Sim, você sente a dor no momento em que a pessoa amada lhe diz que vai partir.
Ela ainda está ao seu lado, só que a dor também está presente.
Não importa se a pessoa amada está perto/longe ou longe/longe. A dor existe e machuca por demais pois a distância...
A distância é o abismo entre você e a pessoa amada.
Não importa se tem telefone, "zapzap", sinal de fumaça, "face" ou outro meio qualquer para se comunicar com a pessoa amada.
Você não está aqui...
A distância nos machuca...
Volta...
Vem...
Chega aqui no nosso cantinho.
Me abraça, me beija, me faz cafuné...
Me toca, me roça, me chamega...
Vamos nos amar como sabemos amar, com maestria.
A grande vantagem da distância é que a saudade aumenta e que sabemos que a dor tem prazo certo para sumir.
 É na hora que você chegar.
Parafraseando Raimundo Fagner: "...o meu olhar vai dar uma festa meu coração, na hora que você chegar...", pois você chegando, me dando "aquele abraço" minhas dores todas irão sumir.

terça-feira, 29 de março de 2016

Minha eterna criança

Depois de muitas tentativas com Dona Lourdinha, conseguimos gerar um “serzinho’ de Deus.
Foi uma luta muito grande para fazê-la vir ao mundo.
Doenças que teoricamente impediriam a formação do feto...
Acidente automobilístico...
Viagens de motocicleta...
Tudo acontecia durante a gestação. Umas por força da natureza, outras por pura irresponsabilidade do casal.
Depois que a sementinha se firmou, imaginamos que tudo estaria bem e que ela iria esperar as quarenta semanas de praxe par vir ao mundo.
Ledo engano, a “fofurinha’ do papai resolve aparecer dois meses antes, como sempre, apressadinha.
Estou em casa, em meu sono vespertino eis que entra dona Lourdinha, apavorada, cansada, chorando e dizendo que havia estourado a “bolsa”.
De pronto ligo para o Doutor Genival Queiroga Júnior, “Queiroga” para os íntimos e fomos para a maternidade.
Fui informado que ela viria ao mundo mesmo...
Que ele iria aplicar umas injeções para fortalecer a coisinha e ela iria logo aparecer. Que nada...
Foi preciso uma cesariana para que a folgadinha viesse ao mundo de meu Deus e no dia 26 de janeiro de 1995 aparece àquela figurinha.
Do alto de seus 2.050 gramas ela chorou e tudo acalmou... teoricamente. Não deu tempo nem de fazer o famoso “baby chá”. Tive que sair correndo para comprar pelo menos, umas fraldas.
Incubadora, injeções, cremes, massagens... de tudo um pouco para que ela permanecesse entre nós.
O tempo passa rapidamente. Lembro bem você pisando nos meus pés para aprender a andar e você ao lado de um pé de caju no ORIGANCE.
Lembro você me fazendo de “cavalinho” ou pulando comigo sem parar nas festas.
Hoje minha pequena Isis Amabile Ibiapina Pereira completa seus vinte e um anos.
É rabugenta com os irmãos...
Zangadinha com o papai...
Enjoadinha com a mãe...
Encrenqueira com os amigos...
E... carinhosa, amável educada, hiper inteligente e acima de tudo, crente.
Crê sempre em um mundo melhor e que a humanidade tem jeito.
Crê na generosidade dos amigos, no conhecimento dos mais velhos e na ternura de seus parentes.
Não posso deixar de prestar a justa homenagem, para você, minha filha.
Que o Supremo Criador, a mantenha coberta com seu manto sagrado, para que possa ser sempre a pessoa mais amada em todos os cantos que esteja e que sempre haja respeito para aqueles que precisarem de sua ajuda.
Que nunca lhe falte ternura pelas crianças, bondade com os mais velhos e discernimento para saber o juntar-se aos bons e afastar-se dos maus.
Você é e sempre será minha caçulinha e minha pequena “Bilibili”.
Te amo hiper demais.
(Malditos ninjas cortadores de cebola)




Saudade de nós

Saudade palavra que só existe em nosso idioma, mas que com certeza deve ser sentida por todos os mortais – alguns dizem que os animais também sentem saudade... acredito que sim.
Palavra com tamanha força e intensidade que provoca grandes dores.
Algumas causadas por tamanha felicidade sentida ao lado de alguém importante ou mesmo de belos momentos.
Outras sentidas pela tristeza ao ter perdido ou mesmo estar distante de alguém que considera muito, que a saudade vem, apertando o peito, causando muita palpitação que somente alivia quando se consegue lembrar-se dos bons momentos vividos.
Momentos estes que ficarão registrados para sempre e que talvez ressurjam em outras vidas, pois almas gêmeas não se perdem no tempo, ao contrário, se encontram e reconstroem a sua história. No dicionário está descrito que saudade é um sentimento nostálgico provocado pela distância de algo ou alguém... Então é exatamente o que estou sentido.
Vejamos para comprovar: Sinto saudade...
...de quando nos conhecemos, pois a curiosidade contida nas palavras ditas causava ainda mais vontade em desvendar os mistérios existentes.
...de quando me ligava pela manhã dizendo palavras suaves e melosas.
...de quando me perguntava o cardápio para nosso almoço e inclusive a sobremesa que tão logo serviria para umas “brincadeirinhas” que por vezes, sequer dava tempo para a digestão.
...de quando preparava o almoço com o melhor dos temperos, chamado de amor.
...de quando colhia no meio do mato umas pequenas flores para decorar a nossa mesa para o almoço no campo – o que demonstrava profundo romantismo.
...de quando me segurava em seus braços na piscina para evitar um suposto afogamento, já que não sabia nadar, mas que também serviria para um enlace de amor.
...dos aconchegos em nosso ninho de amor, que as vezes nem sequer tínhamos lugar certo para tal, mas sabíamos exatamente encontrar meios para nossa satisfação.
...dos beijos contidos, mas que de tamanha tara surgiam com tanto desejo, com tanta emoção que ao fechar os olhos e prestar bem atenção era possível ouvir os fogos de artifícios que vinham confirmar a real intensidade desse amor.
...das mãos bobas percorrendo meu corpo, da barba roçando meu pescoço, do jeito moleque de brincar na cama.
...de falar de coisa séria, de planejar o futuro e imaginar como poderia ser se estivéssemos juntos 24 horas.
...daquela passadinha de pé, do encosto sem querer, um entre o outro apenas pelo prazer de tocarmos nossos corpos.
...de nós, pois tudo o que fazemos é tão gostoso que deixa sempre a vontade de querer mais, consequentemente gera saudade de tudo o que foi possível fazermos juntos.
...dos olhares furtivos na multidão, cada um tendo um significado e ao se cruzarem restar apenas o sorrido e o entendimento de “eu te amo”.
...de ouvir o som de uma mensagem e torcer para ser sua.
...de poder ouvir “já estou te esperando”.
...de poder ouvir novamente “me rouba, me pega, me leva contigo”.
Saudades do sorriso, da cara emburrada, do jeitinho maroto, da carinha pidona, do jeito especial de paixão de ser.

Saudade, com certeza vem do coração.

Tio Lando

O que vou escrever hoje é diferente.
Vou escrever para uma pessoa por demais especial que está completando dez anos.
Dia 18 de dezembro de 2005, acabo de chegar do meu sitio e vejo uma mensagem no meu celular me informando do nascimento de um garotinho que já estava sendo esperado com muita alegria.
Voltado um pouco no tempo, mais ou menos no mês de maio, estava eu em São Paulo e fui agraciado com um telefonema dizendo que minha amigona estava grávida.
Passamos a fazer especulações sobre o sexo da criança que ali estava. Eu pensava que seria uma menina e logo depois fomos informados que seria um jovem e já tinha até nome.
Pois então, recebida a mensagem, resolvi telefonar e foi confirmada a chegada do rebento e eu, como um tiozão coruja, passei em um supermercado e comprei um presente – era um caminhãozinho, de plástico, pois não seria bom chegar de mãos abanando.
No dia seguinte, voltei lá para “curicar” o nenê e fui contemplado com o direito de sair com ele da maternidade.
Fiz algo que faço aos filhos e aos filhos de amigos. O apresentei ao Sol e pedi proteção par aquela “criaturazinha” que estava sob meus cuidados, nãos meus braços.
Estavam vovó, tia chatinha, papai, mamãe, ele e eu de intrometido.
Tenho mania de escolher uma música para cada ocasião especial de minha vida.
A banda Calypso tem uma que gosto muito. A letra é pequena porém diz muito e seu ritmo já balançou muitas vezes minhas brincadeiras e lembranças de meu jovem amigo. Em uma trecho fala assim: “Um amor assim igual ao meu, você jamais vai encontrar, amar Dudu como eu te amo, eu sei que ninguém vai te amar... Vai sim Dudu.
Amor igual ao meu você tem de seus pais, avós, tios e quem sabe outro parente qualquer. Sempre terá meu amor por você como um dos maiores que se pode ter por um amigo.
Acompanhei o crescimento da criança, sempre reservei um tempo para brincar e ensinar as coisas boas, justas e corretas par que o jovenzinho venha a ser um grande homem amanhã.
Esse garotinho cresceu.
Hoje completa dez aninhos bem vividos, sempre rodeado de boas pessoas e criado em um ambiente de paz e harmonia. É paparicado por todos que o conhecem. Ele é especial para todos que o cercam.
Lembro que todas as vezes que eu ia brincar com ele, tinha que ao final, ter algum “moral” nossa brincadeira e sempre que ele insistia em ter que ganhar todas, eu o corrigia, dizendo que na vida não era assim.
Muitas vezes perdemos. Perdemos amigos, perdemos brinquedos, perdemos pessoas, perdemos dinheiro, perdemos toda a sorte de bens.
Sempre disse a ele que jamais ele poderia perder o respeito pelos outros e por si mesmo.
Que ele não poderia perder o seu principal, seu nome. Que ele não poderia perder sua crença e seu amor por Deus. Esse garotinho é uma figurinha ímpar.
Amoroso e briguento, carinhosos e chatinho, inteligente e manhoso. E... é muito solidário.
É daquelas pessoas que ao abraçarmos, temos a certeza de que aquele aperto é muito mais dado pelo coração do que apenas pelos braços.
Que aquele sorriso não vem apenas de seus lábios vem d’alma que apenas as pessoas boas de coração possuem.
Hoje congratulo-me com todos os que rodeiam o pequeno grande homem que está se tornado meu preclaro amigo Eduardo Gabriel Guzman Pinheiro o meu amiginho de todas as horas, o Dudu.
Para muitos Eduardo, para outros Gabriel para tantos Dudu.
Pois é... o destino não permitiu que fosse meu afilhado porém você é meu afilhado, sobrinho e amigo de coração.

Para mim, apenas Dudu e para ele, simplesmente Tio Lando.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Ser mestre

A palavra mestre nos remete para alguns lugares, pensamentos, sonhos e realidade.
Quando chamamos alguém de mestre é que entendemos ser ela uma pessoa detentora do conhecimento e disposta a transmiti-lo.
O mais interessante é que muitas pessoas detém o conhecimento, mas, por egoísmo, mesquinhez e pobreza de espírito, guardam consigo e levam todos ao túmulo.
O mestre não.
O mestre está disposto a passar tudo que sabe aos seus discípulos sabendo que quanto mais transmite, mais angaria também.
Acredito que tive poucos professores.
Em verdade tive muitos mestres.
Tenho boas lembranças de alguns mestres meus.
Dona Eva, que na simplicidade de uma dona de casa, foi para a Escola Domingos Sávio transmitir o pouco que sabia de conhecimentos pedagógicos, embora fosse uma doutora nos conhecimentos da vida.
Professora Auxiliadora, no Colégio Castelo Branco – quando ainda era reverenciado o seu patrono e não o desenho esdrúxulo de um castelo – que, com sua voz rouca nos transmitia os conhecimentos dos livros e da vida.
Professor Pedro Tavares Batalha, com sua “careca” reluzente e seu modo de falar, cuspindo a todos que estavam próximos, sabia o que estava dizendo e tinha prazer no que estava fazendo.
Tive vários outros mestres, Professor Lourival Chagas, Amizael Silva, Abnael Machado, Rogério Rocha, Cezar Nunes, Raimundo Nonato e outros muito bons.
Bons ao ponto de serem até certo ponto rudes para poder mostrar o caminho a ser seguido.
Não posso esquecer minha melhor professora. Dona Maturina Cavalcante Silva que muito antes de ser professora e diretora da Escola Domingos Sávio, já em casa, me ensinava o “beabá”.
Tive mestras como Odaléia Sadeck, Ermelinda, Estela Compasso, Estela Paz, Edna Granjeiro, Aleluia, Dona Babá, Amélia Borges, Flora Calheiros e outras mais.
Putz!
Estava esquecendo uma onça.
Uma mestra valente como uma onça, bruta como uma pedra e dedicada como uma fada.
Professora Aurélia que na sua “ranzinzasse” conseguia mostrar o caminho das pedras aos seus alunos.
Tive outros mestres que não estavam na cátedra.
Tive mestres que me ensinaram a viver como um homem de bem.
Tive o “velho” Orlando Pereira da Silva.
Tive seu Hugo, Cirilo Arruda, Ireno, Capitão Esron de Menezes, Neves Dantas.
Tive um mestre em especial para ser o homem que me considero hoje. Nada mais nada menos do que Sebastião Ferreira dos Santos que para quem o conhece, sabe do que estou falando.
Cada um, entre um cocorote e outro, me ensinou alguma coisa da vida.
Reverencio aqui também alguns mestres que embora lembrando suas fisionomias e seis trejeitos não consigo lembrar o nome.
Hoje existe uma inversão de valores.
Já não vemos o respeito pelos mestres.
O aluno faz o que quer...
Pode ser por falta de “onças” que nos tempos idos tinham moral com os alunos, com os pais, com os seus pares e com a sociedade.
Tenho a grata satisfação de ser professor, desde os dezesseis anos, quando na Escola Duque de Caxias, juntamente com o Victor Sadeck, nos propusemos a alfabetizar alguns soldados do 5º BEC.
Tenho orgulho de encontrar muitos alunos e ver o respeito e o nível que franqueiam a mim.
Tenho satisfação de ser seu mestre e aluno. Com você aprendi muito sobre a vida e sei que pude transmitir alguns conhecimentos.
Tenho um grande orgulho de ser chamado de MESTRE.


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Minh’alma

Nas brincadeiras das redes sociais, sempre aparece alguém pedindo para ser definido pelos seus amigos.
Resolvi também assim fazer e recebi algo simplesmente lindo, completo e que me define de ”A” a “Z”.
Acredito que é oportuno compartilhar, pois nem eu mesmo consigo me ver tanto quanto alguém consegue ver dentro do meu eu.
Existem pessoas que conseguem como os “olhos de tandera” ver além do alcance e vão mais longe.
Acredito que fui definido além do visto pelos olhos, fui visto “apenas” pelo coração.

Simplesmente Você
Afável, aventureiro, amoroso.
Beijoqueiro quando deseja impressionar e possui um brilho no olhar, que acende a luz da alma.
Carinhoso, cavalheiro que causa um calor intenso, provocado pelo toque das suas mãos.
Dominador nato que sabe a forma e a hora certa de atacar sua presa.
Esperto como uma águia que de longe observa e monta a sua estratégia para alcançar seus objetivos.
Felicidade é o seu lema.
Generoso, está sempre disposto a ajudar.
Homem com tamanha sabedoria atrai olhares e desperta desejos.
Iluminado com extrema capacidade de guiar a quem precisar.
Jovem maduro com ar de menino.
Leal com seus princípios.
Moleque travesso com um jeito simples de amar.
Namorador por vocação.
Orgulhoso com os feitos de sua prole.
Pai amoroso, zeloso e protetor.
Querido por todos que sabem dar o seu devido valor.
Único na sua forma de amar.
Valente, destemido, que enfrenta o perigo para proteger a quem necessitar.
Xará de muitos, mas singular no seu modo de ser.
Zangado ao extremo quando algo lhe desagrada.

Brincadeiras à parte faltaram as letras “K”, “W” e “Y”, porém eu poderia completar que tenho know-how na arte de amar a pessoa especial, vou até mil wolts ao quando instigado nas coisas do coração e, por fim, minhas reações ao amar, são uma incógnita.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Depois que eu me chamar saudade...

No último dia sete de setembro, completei meus 57 anos – por sinal, bem vividos e saboreados dia a dia, com muito prazer, obrigado.
Recebi felicitações de muitos amigos que eu já esperava, de pessoas que eu jamais imaginaria que me reverenciariam.
Pena que de muitos que eu esperava, pelo menos, um alô, não recebi nada.
A vida é interessante, ou melhor, é muito interessante quando vemos que pessoas ao seu lado, pouca importância dão a você.
Sou um curioso e fanático pela leitura.
William Shakespeare, em “O Menestrel”, retrata praticamente tudo que vivi na minha trajetória de vida e o que estou vivendo.
Já acorrentei almas, no lugar de “saborear” com as mãos a pessoa.
Já perdi amores – se é que se perde algo que você nunca teve – por amar demais e me entregar por inteiro.
Já degustei do prazer de confiar e ser confiado por alguém.
Já vociferei palavras que por uma ira momentânea, me arrependo amargamente até hoje.
Também já balbuciei palavras que tiveram como paga um sorriso ou um simples encostar de cabeça em meu ombro em um gesto de agradecimento.
Já perdi a oportunidade de viver um sonho por simplesmente não querer ouvir “eu te amo”.
Vejo que pessoas nos querem por perto, muito mais para satisfazê-las do que por amor.
Vejo que muitos preferem pedir que agradecer.
Ouço muito falar de homenagem póstuma.
De que serve tal homenagem se o homenageado não ira saber nunca que foi querido?
Não tragam flores, velas, palmas, choros, desmaios e “ele era gente boa” se eu não estiver a ouvir, a ver ou não tiver mais como saboreia tais atitudes.
Não me venham com homenagens póstumas.
Fale que sou gente boa agora.
Fale que me ama agora.
Fale que meu cheiro é agradável, que sou um grande amigo, um cidadão honrado e um amigo agora, enquanto eu estiver presente.
Fale que fui bom filho e excelente pai agora.
Não adianta vir chorar no meu caixão, quero ser “paparicado” agora.
Quero ouvir a gargalhada de meus netos agora.
Quero sentir o abraço de meus filhos agora.
Ainda citando Shakespeare, quero lhes dizer que, “só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.”
Acho que ele escreveu para mim tal passagem.
Posso até não demonstrar com palavras como eu amo, porém, demonstro com atos, com sorrisos, com afeto, com a minha oração no início e no final do dia em que peço por todos.
Não sei se é Deus, Javé, Alá, Buda, Sol, Maomé ou outra força qualquer. Acredito que alguém nos rege e para “Esse alguém” é que profetizo minha fé.
Faça por mim agora e não quando eu me chamar saudade.
Não quero flores...
Quero a vida vivida com amigos...
Quero amigos para sorrir, brincar e amar.
Quero filhos para educar e ensinar.
Quero pessoas para amar.
De nada adianta dizer que eu era um grande amigo e que tinha um bom coração se eu não puder ouvir e poder sorrir.
Quero festa agora.
Não adianta um banquete, flores, musicas e badalações se o homenageado não estiver presente para poder ver o quão é considerado bom.
Quero ser reconhecido com o “cara legal” agora, em vida.
É maravilhoso é poder ouvir um “eu te quero”, “eu te amo”, “você é importante para mim”, “obrigado”, “vem, deita no meu colo e chora”, “adorei estar com você, “sabia que você faz falta”, “onde vamos”, “poxa, foi sem querer”, “te amo pai”, “te amo filho”, “por você faço tudo que puder, e tento fazer também o que não puder” e assim vai.
Quero ouvir palavras amorosas e também dizer coisas boas, pois o hoje pode ser a última vez que nos vejamos.
Sorria comigo que vou sorrir contigo.
Chore comigo que vou chorar contigo e ainda, enxugar suas lágrimas.
O tempo perdido que algo que jamais poderemos reconquistar.
Não me venha com homenagens póstumas, pois depois, que me chamar saudade...
Nada mais irá me interessar.














terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cecília

Tive o grato prazer de conhecer uma menininha muito charmosa, emburradinha, zangada e inteligente.
É a Cecília, filha do Erique e da Arlene, mais conhecida como Luca, que são parentes de Dona Lourdinha.
Desde novinha, embora ainda esteja com menos de dois anos, me acostumei a ver suas graças, trejeitos, cara feia e tiradas geniais.
Tive o grande prazer de ter sido convidado para ser padrinho de tal criaturinha.
Embora já tivesse prometido não mais ser padrinho de qualquer criança, pelo charme que a Cecília tem e pelo jeitão de emburradinha, aceitei na hora ser seu padrinho.
Participei de parte das reuniões para o curso – embora não entenda o motivo de tanto curso para ser padrinho. Acredito que se fizermos um curso já é suficiente, bastaria receber um certificado e valer para todos os outros.
Embora tenha sido criado seguindo os preceitos da Igreja Católica, nunca fui um “papa hóstia” e hoje não sou mais aquele praticante, se é que para ser católico praticante tenha que viver enfurnado dentro de uma igreja.
Ao meu entender, para ser um católico ou apenas cristão eu devo seguir os preceitos que ditam as normas da Santa Madre Igreja.
Se assim for, sou católico praticante, pois pratico a religião, não dentro de um tempo, mas dentro do que rege meu jeito de ser.
Se não estou errado, em Mateus 18:20 é dito “...porquanto, onde se reunirem dois ou três em meu Nome, ali Eu estarei no meio deles”.
Não vem ao caso agora tal polêmica.
No domingo passado, dia 30 de agosto “#partiubatizado” embora com uma ressaca de fazer inveja.
E pra lá fui, na Igreja de São Luiz Gonzaga, por sinal, uma igreja muito bonita, bem cuidada e com um charme especial, para batizar a “fera”.
Na chegada já notei a diferença do tratamento pois fomos recebidos por duas senhoras, muito educadas, que nos deram boas vindas.
Ao iniciar a missa, alguns momentos foram dedicados para o batizado e confesso que fiquei apreensivo com o “show” que nossa amiginha poderia dar, pois tinham alguns momentos diferentes dos batizados tradicionais que já participei, ou como pai, ou como padrinho.
O Sermão, muito bem lido e explicado pelo sacerdote, também nos leva a Mateus, quando cita a passagem dos fariseus questionando sobre a limpeza das mãos dos discípulos e tiveram a resposta de que “não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem”.
Vi ali que não estou dentre os piores cristãos.
Entendo que o batizado é um dos sacramentos da igreja católica que considero mais bonito.
Mais bonito ficou da forma que foi conduzido pelo sacerdote, apresentando a criança, levantando-a e mostrando-a aos presentes (basta imaginar a cena do rei leão, quando apresenta seu primogênito a todos).
Cecília, muito arteira, não parava no lugar um minuto pois era um show à parte. No colo de um e de outro, quando não estava tentando subir ao altar, procurando “papaizinho”, “mamãezinha”, “vovozinha” ou “maninho”.
Tinha ainda a tia Lourdinha e o tio Orlando.
Tive que usar toda minha psicologia infantil – não aquela utilizada por Dona Maturina, que era uma palmatória – psicologia mesmo, tradicional e acadêmica para manter nossa afilhada comportada, sem aprontar demais.
Passo a passo, cada rito era precedido por um bom papo para convencer “Dona Cecília” a aceitar, sem chamar o padre de “carniça”.
Na hora da pia batismal, tive que dizer que ela tinha de molhar a cabeça, para poder ir comigo para a piscina.
Quando foi o momento dos óleos perfumados, inventei que era para se bronzear e ir para a piscina.
Na hora do sal, inventei que era para o almoço...
E assim conseguimos batizar a linda Cecília.
Por muitas vezes, me pequei com algumas lagrimas teimosas escorrerem pelo canto dos olhos – malditos ninjas cortadores de cebola – de tanto emocionado que eu estava, vi ali o batizado dos meus filhos.
Vi ali a beleza e a firmeza de termos um norte para seguirmos, não importando se é Jesus Cristo, Buda, Javé, Maomé, o sol ou qualquer outro ser que nos guie.
O importante é termos a quem recorrer para mais agradecer que pedir.
Fui uma celebração impar, digna de uma criança como Cecília, ou simplesmente Ceci pra os íntimos.




Um circo chamado Brasil

Sempre digo, e repito, o circo é mágico.
Desde pequeno que sempre fui fascinado em circo.
Outro dia, soube que Dona Lourdinha, nunca tinha ido ao circo e comentando em uma roda de amigos, descobri que o Andrinho também jamais tinha pisado na grama sob uma lona.
Para satisfazer a curiosidade de ambos, eu e Dona Iva, esposa do Andrinho, levamos as “feras” para assistir um espetáculo circense.
O circo era pequeno, sem grande estrutura, com apenas um trapézio, poucos palhaços – embora muito bons – e mais algumas parcas atrações.
Quando relembro do circo, sempre é com carinho, ternura, admiração e respeito pelas pessoas que trabalham no espetáculo.
Eu era fã, quando criança, de ir ver a montagem da estrutura circense e me peguei, muitas vezes, sonhando em fugir com aquela trupe, sem destino, ou melhor, deixando que o destino me levasse cada dia para um local diferente.
Hoje as pessoas, com a atual conjuntura que vive nosso Brasil, ficam a comparar a “Pátria de Cabral” com um circo.
Não acho justo.
Não é justo comparar uma situação de desorganização com o circo visto que nele, há organização, há comando, há respeito e também, com o pouco que possuem, há satisfação.
No circo, existe respeito entre os pares e ninguém quer levar vantagem sobre o outro, pois ali existe uma família “de sangue” e “de amizade”.
Quando os circos podiam ter animais, não víamos faltar comida para eles.
Nunca vi gritos de desrespeito entre os trabalhadores do circo, quando de sua montagem.
É um trabalho de equipe em que a força para erguer a lona é dividida entre todos, não tendo um que trabalhar mais do que o outro.
Existe a organização do espetáculo e cada um sabe o que fazer, não havendo interrupção do trabalho de um, para beneficiar outro.
No circo existe confiança.
A trapezista ao soltar seus pés de um lugar qualquer sabe e tem confiança de que o colega a pegará pelos braços, não deixando que a mesma venha a cair.
O palhaço, pintando seu rosto é apenas para dar alegria para os espectadores e não para se esconder com o objetivo de destruir o próprio público ou de terceiros.
No circo, apenas uma pessoa manda e comanda sem a necessidade de ter que barganhar sua autoridade com terceiros descompromissados com o espetáculo.
Quando o circo chega a qualquer cidade, vai buscar autorização para se instalar, sem que assim haja desrespeito com as autoridades constituídas.
Muitas vezes, vejo e ouço alguém dizer que somos tratados como palhaços por nossos governantes.
No circo o termo palhaço é usado para denominar alguém rico em sonhos, em alegria, com objetivo de transmitir confiança para as crianças e levar os mais velhos de volta para suas infâncias.
Pena que no circo chamado de Brasil, estão nos tratando de forma errada.
Estão nos fazendo de palhaços e deturpando assim um termo tão bonito que é a palavra palhaço.
Que, um dia, possamos comparar o Brasil com um circo na melhor acepção da palavra: um lugar onde haja comando, respeito, dignidade, ternura, carinho e confiança.
Então eu terei o enorme prazer de ser chamado de palhaço.







Apaixonados

Dizem que uma mulher apaixonada é cega, surda, muda e burra.
Discordo em todos os sentidos.
Uma mulher apaixonada é simplesmente apaixonante e o homem apaixonado se perde nos seus encantos, ternura, sorrisos e também, suas lágrimas.
A mulher apaixonada, simplesmente apaixona o homem que ela tem, simplesmente, seu homem.
Ela é divertida e consegue com seus intentos, fazer o homem cair de amores por ela que, acima de tudo, sabe divertir… Ela consegue enxergar um lado bom em todas as coisas para divertir seu amado e ainda, acima de tudo, consegue resolver os problemas do relacionamento com bom humor – nem sempre, claro!
Uma mulher apaixonada consegue fazer o homem se sentir bem ao seu lado e, se possível fosse ficar, não sairia o homem nunca do lado delas, jamais.
O homem aprecia a sua energia, o seu sorriso, a sua forma carinhosa de ser, o seu jeito gostoso de levar a vida, de resolver os problemas da casa, da vida e do amor.
Uma mulher apaixonada é fácil de conviver com seu homem também apaixonado e com ele pode se divertir em todas as situações, transformando pequenos os parcos momentos em grande aventura com sorrisos, choros, beijos, abraços, chamegos e..., deixa pra lá o resto.
Ela é mais do que tudo, é amiga, confidente, amante, aluna e professora em uma só pessoa e tem potencial para mais.
A mulher apaixonada é uma mulher confiante em seu taco, que se curte do jeito que é, se gosta e se olha no espelho sem medo, se diverte com seus defeitos levando-os na perfeita brincadeira, conhece as suas qualidades – e diga-se de passagem que são muitas e é mais ela… é um prato cheio, na perfeita expressão da palavra.
O homem apaixonado se sente extremamente atraído por esse tipo de mulher, e que mulher...
Ela tem seus mistérios, porta do banheiro sempre fechada, não se entrega seus “pequenos segredos” deixando a critério da imaginação do seu homem o que está acontecendo e ele fica a todo tempo buscando desvendar tais mistérios.
Ela é o tipo de mulher que ganha a admiração de seu homem que adora exibir para os amigos aquela mulher inteligente, destemida, com desenvoltura sabe conversar sobre tudo, tem opiniões próprias e que impressiona com as suas opiniões firmes e que tem a humildade de perguntar aquilo que não sabe, podendo até ser mesmo sobre o código de barras de um caixa eletrônico.
O homem apaixonado se sente orgulhoso por ter ao seu lado uma mulher inteligente e considera que foi a sua melhor escolha do mundo.
O home apaixonado vai sempre adorar estar ao lado de uma mulher apaixonada e poder sair com ela para todos os lugares e mostrar para todo mundo quem está ao seu lado, nas horas tristes e nas horas alegres com aquele sorrizão no rosto, com a ternura de uma criança para dizer apenas, te amo.

Uma mulher apaixonada tem seu homem apaixonado, sendo, um para o outro, o vício e cura.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Um coração aflito

(Nenhuma caminhada é longa se o objetivo é alcançado)
Um dia se ter nem por que o coração estava apertado, angustiado.
A princípio poderia ser apenas impressão... ou não!
Fato é que parecia que não havia espaço suficiente no peito doía de tal forma, que a respiração era prejudicada.
De repente vinha uma vontade súbita de chorar, talvez, na ânsia de aliviar tamanha dor ou quem sabe angustia por não entender o real motivo, mas, as lágrimas insistiam em fincar guardas e um nó na garganta atrapalhava a possibilidade de tentar ao menos ir à busca de alguém que pudesse ajudar a resolver, mesmo que momentaneamente, esse coração aflito.
Eis que der repente, sem ao menos que esse coração se desse conta, havia alguém disposto a ouvir-lhe de forma despretensiosa, de oferecer-lhe um ombro amigo sem desejar algo em troca.
Assim esse pobre coitado, de tão fragilizado aceitou tamanha oferta, pois lhe parecia que havia encontrado pelo menos uma forma de aliviar seu peito.
O lugar do desabafo, ou melhor, da conversa amiga, das risadas de algumas bobagens ditas sem ao menos pensar nas consequências, foi uma pracinha, visitada por poucos, e por alguns que simplesmente passavam.
Sob a luz da lua, as horas passaram tão rápido que o coração aflito, nem sequer percebeu que já não sentia dor, que já estava aliviado.
Foi então, em meio a alguns devaneios, que percebeu que foi enganado várias vezes.
Primeiro pelo coração, pois não era dor, mas o vazio causado pela solidão, segundo que ajuda não era despretensiosa, pois havia por traz daquele gesto, desejos insanos de uma nova conquista e depois, que o ombro amigo, era apenas uma forma de aproximação, pois experiente como era o tal amigo, poderia em meio a conversas jogadas ao vento e com palavras bonitas ditas no momento certo, jogar a isca.
Tal atitude servira exatamente para que aquele coração, supostamente aflito, num momento de descuido, lhe desse as condições necessárias para arrancar-lhe um beijo que lhe deixaria com vontade de repetí-lo outras vezes.
E quarto, não menos importante, o engano de que um simples beijo roubado e que serviria apenas de desculpa para uma noite de amor e nada mais, se tornou o principal responsável pelo primeiro palpitar de uma paixão que dia após dia, tomaria conta de seu ser.
De tal forma e intensidade que inebriava a alma com um cheiro único que entrelaçava o corpo com os braços fortes e pegadas enlouquecedoras; que despertava desejos ocultos e a possibilidade de concretizá-los; que enchia o coração de amor, de vontade de tê-lo sempre por perto.
Envolvia com seu jeito encantador, mostrando-lhe o quanto a vida poderia ser boa ao seu lado, mas, que precisaria dividi-lo e não precisaria exigir que este despretensioso amor lhe tomasse em seus braços de forma única e decidida, pois não era capaz de amar-lhe com tanta entrega e intensidade.
Aquilo que parecia um sonho próximo a realidade transformou-se em escudos, em barreiras intransponíveis impedindo toda e qualquer possibilidade deste amor se tornar um só.
Eita coração aflito!
Dividido entre dois mundos totalmente diferentes, porém parecidos na forma de amar e aquelas lágrimas que não caíram para aliviar o tal coração apertado foram derramadas inúmeras vezes, sem ao menos ter aquele ombro amigo para enxugá-las, pois era exatamente o provocador de tamanha dor, ou melhor, de uma nova dor o tempo demonstrou a esse coração que o destino se encarregou de afastar, de aproximar, de mostrar direcionamentos que ambos não foram capazes de enxergar no momento certo.
E que quando tudo parecida perdido, o tal ombro amigo revelou tudo aquilo que precisava ser dito e feito num momento intempestivo, sem permitir o uso da razão, pois a emoção seria mais uma vez, o obstáculo para o enlace final.
Fato é que o tempo se encarregou de mostrar ao coração de que amor como esse jamais irá encontrar, que a distância alimenta a alma e acalenta o peito quando a saudade vem.
Que os desejos ocultos, precisam ficar guardados num pequeno baú, trancado a sete chaves de modo, que nem mesmo o mais curioso dos homens poderia saber de todo o mistério contido ali, e que somente os cúmplices deste amor poderiam revelá-los.
Que muitas vezes é preciso abrir mão de um amor para continuar ou encontrar outros.
Que as projeções de nossas vontades, se tornam frustrantes quando o outro não as atende.
Eita coração aflito!
Apaixonado que mesmo depois de tanto tempo, tantos tropeços não aprende a parar de sofrer, ou melhor, aprendeu sim, a buscar meios de se proteger, fechando os olhos e controlando a dor, pois por sua culpa abriu espaço para novas conquistas, talvez, não num banquinho de praça, mas quem sabe, sendo apresentada ao “Tazz”.
O acalento, é que quando o coração aflito encontra a sua paixão, o tempo que parece não ser favorável a eles, se apropria de um relógio que marca segundos, minutos e horas suficientes para uma entrega de amor, uma entrega que somente coração e paixão sabem o quanto custa cada segundo desperdiçado e que em exatamente treze anos foram sendo construídos o alicerce para que as adversidades não fossem suficientes para destruí-los de forma tão banal.

Trata-se então, de uma bela história de amor que é impossível ter clareza, se as escolhas oferecidas pelo destino foram certas ou erradas, mas, o amor permanece e enquanto ele tiver forças estarão os amantes envolvidos, balbuciando palavras bonitas que tocam a alma, pedindo a Deus que os permita amar por outros “trezes” anos e quiçá pela vida inteira.